Como prevenir as fake news nas redes sociais? Entenda tudo sobre o tema!

Alexandre Monteiro
Publicado por Alexandre Monteiro em 16 de novembro de 2020

As fake news nas redes sociais não são novidade. Continuamente, acabamos nos deparando com notícias falsas em grupos, em compartilhamento de amigos e até em perfis de pessoas conhecidas.

O impacto dessas ações é bastante preocupante, principalmente quando elas envolvem candidatos e acabam influenciando no resultado das eleições. Por isso, as redes sociais mais usadas têm buscado minimizar os efeitos das fake news com diferentes ações. Quer entender melhor e se prevenir dessas notícias falsas? Siga conosco!

O que são fake news?

As fake news são notícias ou informações falsas divulgadas pela internet (tanto em redes sociais, como em outros meios) como se fossem notícias verdadeiras. A intenção é confundir as pessoas, legitimar determinado ponto de vista ou, até mesmo, prejudicar outra pessoa ou grupo.

Normalmente, essas notícias falsas contam com um grande poder viral e se espalham rapidamente. Isso porque elas apelam para o lado emocional de quem recebe a mensagem, fazendo com que as pessoas passem adiante a fake news acreditando estarem divulgando uma mensagem realmente importante.

Como normalmente as pessoas não costumam checar as informações quando as recebem em uma rede social ou de algum amigo, esses boatos acabam se disseminando e podem se espalhar mais rapidamente entre as pessoas que usam apenas as redes sociais para se informarem.

Como uma fake news é criada?

vetor de redes sociais com conexão entre várias pessoas representando fake news nas redes sociais

São muitas as formas de se criar e divulgar fake news nas redes sociais. Uma simples publicação no seu perfil já pode acabar viralizando. Porém, a maioria das grandes notícias falsas são criadas por empresas especializadas.

Em geral, cria-se uma página na internet apenas com o intuito de criar e disseminar fake news. Essa página é aliada a um robô que será o responsável por espalhar o link da postagem da fake news nas redes sociais, disseminando-a em grupos, páginas e outros canais de forma maciça.

Com isso, a informação acaba atingindo um grande número de pessoas, que passam a replicar cada vez mais a notícia falsa, atingindo proporções inimagináveis.

As fake news se assentam, também, na crise da confiança dos leitores nos veículos tradicionais de comunicação. Ao não acreditarem na imprensa, as pessoas passam a dar mais credibilidade às informações divulgadas nas redes sociais, por acreditarem que são pessoas reais falando sobre o assunto. E é assim que o boato se espalha e se intensifica.

Fake News nas eleições: qual o impacto dessas notícias falsas?

As fake news nas redes sociais são um assunto sério. Afinal, há estudos que mostram que elas conseguiram até mesmo impactar na decisão dos eleitores na hora de votarem.

Nas últimas eleições norte-americanas em que Trump foi eleito, em 2016, o Facebook reconheceu que 126 milhões de usuários acabaram sendo expostos a publicações falsas criadas por uma empresa chamada Internet Research Agency e ligadas ao Kremilin.

A agência de espionagem dos EUA acusou Moscou de criar um estratagema que envolvia à invasão dos e-mails dos democratas e a disseminação de notícias falsas para desmerecer Hillary Clinton e beneficiar Donald Trump.

No Brasil, as fake news nas redes sociais também ajudaram nas eleições de Bolsonaro. Um estudo da organização Avaaz mostrou que 98,21% dos eleitores do atual presidente acabaram sendo expostos à fake news durante as eleições e 89,7% acreditaram que essas notícias falsas eram reais.

Uma das notícias falsas espalhadas nas redes sociais, de que houve fraude nas urnas eletrônicas para beneficiar Fernando Haddad, candidato do PT, alcançou 16 milhões de pessoas nas redes sociais em apenas 48 horas.

O estudo também mostrou que 85,2% dos eleitores de Bolsonaro receberam notícias falsas de que Haddad havia implementado o “kit gay” e 83,7% acreditaram nessa história.

O uso das fake news por políticos

Embora as fake news nas redes sociais sejam recentes, essa estratégia de manipulação não é nova. Desde a Roma Antiga, os poderosos já notaram o valor dos boatos. Otávio, ainda em IV a.C., que viria a ser o Imperador Romano Augusto, promoveu uma campanha difamatória contra Marco Antônio, acusando o amante de Cleópatra de ser “mulherengo” e “bêbado”.

No século XIV, o poeta Pietro Aretino tentou manipular o conclave papal (que realiza a votação para a escolha do Papa) com sonetos mentirosos sobre todos os candidatos, exceto seu patrono Giulio de Médici.

Em 1933, Joseph Goebbels e o partido nazista criaram o Ministério do Esclarecimento Público e da Propaganda com o objetivo de espalhar desinformação e, assim, promover o governo nazista, encorajando o povo alemão a perseguir os judeus e outras minorias. Inclusive é de Goebbels uma frase bem emblemática que retrata o poder das fake news: “uma mentira repetida mil vezes torna-se realidade”.

A estratégia usada por Goebbels foi decisiva para a ascensão do partido nazista. Ela previa: a censura à imprensa, o exagero dos boatos noticiados, o bombardeio da população com notícias sobre um só inimigo e a discussão de informações com especialistas que compartilhassem do mesmo ponto de vista do governo.

Fake News no governo Trump

As fake news nas redes sociais foram primordiais para a eleição de Donald Trump – e fizeram parte do seu mandato. Um levantamento do Washington Post mostrou que no primeiro ano de governo, em 2017, Trump fez 2.140 alegações mentirosas, uma média de 5,9 mentiras por dia.

Ao todo, desde a sua posse até o final de outubro de 2018, foram 6.420 informações imprecisas ou falsas. A maioria delas são direcionadas a atacar à imprensa, o sistema de justiça, as agências de inteligência, os funcionários públicos e o sistema eleitoral.

Mas é claro que todo esse poder apenas foi possível graças à ascensão das redes sociais e da própria internet. Até 2008, a internet não tinha tanta relevância nas campanhas políticas e por isso a disseminação de fake news nas redes sociais não costumavam influenciar os eleitores.

Desde então, as redes sociais se tornaram fundamentais para diferentes mudanças políticas. Um exemplo foi a Primavera Árabe, com revoltas e protestos em 2011, que não teria sido possível sem a presença das redes sociais.

No Brasil, outro exemplo crucial foram as Jornadas de Junho, de 2013, que envolveram mais de 1 milhão de pessoas em 130 cidades. Um estudo do IBGE mostrou que 77% desses manifestantes se informaram sobre os protestos por meio do Facebook.

Outro fato emblemático que mostra o poder das redes sociais foi o Brexit no Reino Unido. A pesquisa YouGov da Universidade de Oxford mostrou que as redes sociais são mais usadas que os jornais tradicionais pelos ingleses como fontes de informação, pelo menos no período analisado entre 2015 e 2016, ano em que o “sim” para a saída do país da União Europeia ganhou o plebiscito.

Fake News no Brasil: quais os principais dados?

Um estudo realizado pela Reuters Institute Digital News Report analisou os países com maior exposição às fake news. O Brasil ficou em terceiro lugar, com 35% de exposição.

Além das eleições, a pandemia de Coronavírus também se mostrou um terreno fértil para a disseminação das fake news nas redes sociais em solo nacional. Um estudo realizado pela Avaaz, mostrou que cerca de 110 milhões de brasileiros acreditaram em pelo menos 1 notícia falsa divulgada sobre a pandemia – ou seja, 7 a cada 10 brasileiros.

O mesmo estudo mostrou que o WhatsApp é o líder na hora de distribuir as notícias falsas, com 6 a cada 10 pessoas recebendo fake news sobre o Coronavírus por meio da plataforma. Em segundo lugar vem o Facebook, com 5 a cada 10 pessoas recebendo notícias falsas.

Outro estudo, divulgado pelo Fantástico, revelou que mais de 70% dos brasileiros com acesso à internet já acreditaram em fake news sobre Coronavírus – 9 a cada 10 brasileiros já receberam alguma notícia falsa sobre a pandemia.

Mais um dado revelador, dessa vez apontado por uma pesquisa realizada pelo Instituo Ipsos, mostrou que o brasileiro é o povo que mais acredita nas fake news nas redes sociais em todo o mundo.

O estudo revelou que 62% dos brasileiros admitiram já ter acreditado em uma notícia falsa, apesar de 58% dos entrevistados acreditarem serem capazes de identificar uma fake news.

E um dos principais motivos para todos esses dados é o uso do WhatsApp na disseminação das fake news. Principalmente porque essa é uma rede social privada em que há maior dificuldade para que as autoridades consigam acessar e investigar sobre a disseminação de notícias falsas.

Fake News nas redes sociais: qual a postura das principais redes sobre o tema?

Disseminar fake news nas redes sociais ainda não é considerado crime no Brasil. Porém, já existe projeto de lei que visa modificar essa realidade.

O projeto 1416/20 tipifica como crime de responsabilidade o compartilhamento ou disseminação de notícias falsas, difamatórias ou sem fundamento por pessoa que ocupe emprego, cargo ou função pública. A proposta é da deputada Marília Arraes.

Outro projeto é o PL 2630/2020, aprovado pelo Senado. O projeto cria a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, com normas para serviços de mensagens como Telegram e WhatsApp.

Em resumo, o projeto, que agora segue para a Câmara dos Deputados, visa: obrigar as redes sociais a excluírem contas falsas, obrigar os provedores a desenvolverem mecanismos para detectar irregularidades, proibir o uso de robôs não identificados, entre outras providências.

Facebook e Instagram

Apesar de não ser considerado crime, a disseminação das fake news nas redes sociais causa uma série de prejuízos. Diante disso, o Facebook tem lançado medidas que visam coibir esse problema.

Em 2019, Zuckerberg anunciou que fotos e vídeos com informações falsas publicados no Facebook e no Instagram começariam a ser sinalizados com a etiqueta de fake news. O rótulo viria acompanhado de links de agências de checagem explicando o motivo de serem assinalados dessa forma.

Além disso, em alguns países, quando a rede tem sinais de que a mensagem não é verdadeira, há uma redução temporária na distribuição dela, até que uma agência de checagem faça a verificação.

Outras ações implementadas pelo Facebook para reduzir a disseminação das fake news nas redes sociais são:

1) botão de contexto que oferece mais detalhes sobre as notícias compartilhadas. A função abre um painel que descreve o site e conta com outros links sobre o mesmo assunto para que o usuário possa comparar a informação;

2) expulsão de páginas destinadas às fake news. A exclusão pode ser uma das punições dos conteúdos denunciados pelos usuários por meio do feedback;

3) denúncia de fake news, os próprios usuários podem fazer essa denúncia, basta abrir o menu da publicação, acessar a opção feedback e enviar o post para a análise;

4) parceria com agências de checagem, no Brasil, o Facebook tem parceria com as agências Lupa e Aos Fatos, vinculadas à rede internacional de checagem dos fatos;

5) uso de inteligência artificial para reconhecimento das fake news. A tecnologia analisa vídeos e imagens de maneira automática e usa como base fake news já identificadas, sinalizando os conteúdos suspeitos.

Twitter

O Twitter também tem buscado medidas para combater às fake news nas redes sociais. Atualmente, a rede tem incluído etiquetas e avisos informando que determinado tweet contém informações duvidosas ou enganosas, especialmente quando o assunto é o novo Coronavírus.

Em casos leves, a plataforma fornece links com informações comprovadas sobre o assunto. Em casos mais graves, as postagens são excluídas.

Um dos perfis que passaram por essa nova medida foi do presidente Donald Trump que teve suas funcionalidades restritas por algumas horas após ele ter divulgado notícias falsas sobre a Covid-19.

WhatsApp

Em agosto de 2020, o WhatsApp divulgou um novo recurso que visa combater a disseminação de fake news nas redes sociais. As mensagens consideradas suspeitas pela plataforma passaram a receber um ícone de lupa ao lado da janela com o link.

Quando o usuário clica neste botão, o WhatsApp sugere uma pesquisa sobre o assunto na rede. Assim, a partir de uma consulta rápida em fontes confiáveis, a pessoa poderá descobrir se determinado assunto compartilhado é falso ou não.

Outra medida tomada pela rede foi o estabelecimento de um limite de mensagens encaminhadas. Uma mensagem que já foi compartilhada cinco vezes só pode ser encaminhada para uma conversa por vez. Antes da medida, o usuário poderia compartilhar a mensagem com até 5 conversas de uma só vez.

YouTube

O YouTube ainda não conta com medidas mais eficazes contra a disseminação das fake news nas redes sociais. Uma novidade da rede é o fato de ela impedir que canais que promovam conteúdos falsos que possam prejudicar a saúde sejam capazes de monetizar (como teorias conspiratórias sobre vacinas, cura do câncer e outros assuntos).

Conclusão

Como você viu neste conteúdo, as fake news nas redes sociais são um assunto sério. Mesmo porque essas notícias falsas conseguem ter um poder apelativo muito grande, podendo, até mesmo, serem decisivas em uma disputa eleitoral ou colocar em risco à saúde das pessoas (como no caso das fake news sobre o novo Coronavírus).

Apesar da prática não ser considerada crime no Brasil e das medidas ainda sutis das principais redes sociais para combater a disseminação dessas notícias falsas, o papel do usuário é de suma importância.

Criar o hábito de sempre checar a informação antes de passá-la adiante é a melhor maneira de combater as fake news nas redes sociais. Uma checagem simples por meio de uma pesquisa no Google já poderá revelar se determinado assunto é verdadeiro ou não.

Para essa finalidade, também existem vários sites e agências dedicados exclusivamente a avaliarem e conferirem as informações – e você poderá checá-los com frequência, evitando passar adiante boatos e calúnias.

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