Dois meses de IGTV – Onde estamos? Para onde vamos?

Ingage
Ingage - 20 de agosto de 2018

Em suas primeiras semanas de existência, será que o IGTV já mostrou a que veio? Leia nosso post e confira um retrospecto e uma previsão de tendências para o hub de vídeo do Instagram!

No final de junho de 2018, o Instagram confirmou a chegada do IGTV. A proposta é estender os vídeos de apenas um minuto para produções de até 60 minutos. Como a rede social conta com 500 milhões de usuários ativos por dia, o lançamento trouxe grandes possibilidades.

Nos primeiros dias, os usuários já puderam entender a dinâmica. Localizado em uma parte separada do aplicativo, o recurso reúne canais de influenciadores de todos os ramos e com assuntos variados.

Qual é a diferença entre o IGTV e o Youtube?

Foi somente com o lançamento que deu para entender quais são as diferenças entre o recurso do Instagram e o Youtube, maior plataforma atual de vídeos.

Tudo começa no formato: na área do Instagram, os vídeos são verticais, o que nem sempre acontece com o Youtube. Pesa o fato de que a experiência oferecida pela rede social só é acessível pelos dispositivos móveis — ao menos, no princípio.

Mais um destaque do lançamento do Instagram é a forma de exibição. Ao entrar na plataforma, um vídeo já começa a ser reproduzido. Por outro lado, é fácil trocar de vídeo: deslize para a esquerda e surgirá uma nova produção. No Youtube, é preciso acessar os vídeos relacionados.

No geral, o recurso da rede social segue a proposta do Instagram e traz a ideia de gerar interação e entretenimento de forma mais dinâmica. De acordo com o press release da própria empresa, esse é “um novo capítulo da história de vídeos mobile”.

Quem está em alta?

Com com pouco menos de dois meses de utilização, ainda é cedo para dizer que alguém desponta como fenômeno no IGTV. Mesmo assim, grandes perfis da rede têm se destacado.

Do lado dos influenciadores, Chiara Ferragni mostra bastidores das suas gravações e da sua rotina para seus 13 milhões de seguidores. Lele Pons e Zoella também têm se destacado, com conteúdo exclusivo voltado para a plataforma.

Quais são os perfis e marcas de destaque por ali?

No ambiente das marcas, a BBC News tem apresentado notícias de diversas partes do mundo e utilizado a plataforma para se conectar com um público mais jovem.

Já a Netflix lançou conteúdos especiais, enquanto a Nylon Magazine trouxe entrevistas exclusivas. Até a Família Real aderiu ao recurso, com o Kensington Palace compartilhando momentos do batizado do mais novo bebê da família.

Durante a realização da Copa do Mundo 2018, a FIFA apresentou alguns dos destaques da competição em seu canal. Ao mesmo tempo, executou uma estratégia de marketing de oportunidade. No período, a França, campeã mundial, também apresentou uma entrevista com o time.

Voltados para usuários em busca de receitas e tutoriais, canais como So Yummy angariam milhões de visualizações.

Já houve alguma campanha publicitária de destaque?

Com a presença das marcas nesse espaço, é natural que o IGTV já tenha tido algumas campanhas que merecem destaque. A National Geographic, um dos maiores perfis da rede social, produziu um documentário vertical e exclusivo.

Já a MTV fez o anúncio dos nomeados ao Video Music Awards (VMA) 2018 com a ajuda de criadores de conteúdo de vários segmentos. Essa abordagem dupla (com nova plataforma e com influenciadores) fortaleceu o buzz da ação.

Quais são as tendências? Já existe algum caminho claro para se seguir por ali?

O uso do IGTV ainda tem sido experimental para a maior parte das marcas e dos criadores de conteúdo. Com a consolidação dessa plataforma, conforme ela ganha fôlego para engrenar, novas possibilidades surgirão. Inclusive, é provável que ocorra o lançamento de recursos com o tempo.

Atualmente, entretanto, a tendência fica por conta dos conteúdos que não sejam tão longos, exceto em alguns casos. Faz sentido que um documentário da NatGeo tenha 48 minutos, mas, no geral, é esperado vídeos mais curtos.

O comportamento do público também aponta para as tendências do momento. As marcas e os criadores que utilizam assuntos relevantes e de grande repercussão têm ganhado a preferência. O mesmo vale para a forma de apresentação. Essa plataforma de vídeo não deve servir para replicar conteúdo de outros meios, mas, sim, para criar uma experiência inédita.

Por causa do caráter social, outra tendência tem a ver com a interatividade. Os comentários são deixados facilmente, assim como as curtidas. Então, a busca pelo engajamento tem se mostrado marcante.

É possível fazer anúncios no IGTV?

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No momento do lançamento, o CEO Kevin Systrom foi categórico em afirmar que o recurso ainda não oferece a chance de realizar anúncios.

O mecanismo de monetização, como acontece no Youtube, ainda não está disponível. A princípio, não é possível fazer anúncios da forma tradicional, como por meio da aquisição de banners durante a exibição ou de vídeos antes do conteúdo ter início.

“Ainda não há propagandas no IGTV hoje. Mas, obviamente, é um lugar bastante razoável para que elas sigam”, afirmou o presidente no lançamento em São Francisco, nos Estados Unidos. Até o final do ano, a expectativa é que a forma de monetizar conteúdo surja para os criadores. Mesmo assim, será preciso alinhar com a proposta da funcionalidade , já que Systrom disse que o objetivo é “criar uma experiência de vídeo sem interrupções”.

Enquanto isso, dá para utilizar a publicidade nativa. Para executar a estratégia, muitas marcas entram em contato com os principais influenciadores para o seu mercado e adquirem a produção de vídeos exclusivos e voltados para a audiência.

Também é possível realizar o product placement, mediante parceria paga. Essas são estratégias que já são utilizadas no feed tradicional da rede e que podem funcionar — ao menos, enquanto a abordagem definitiva de exibição de anúncios não é lançada.

De toda forma, pela concorrência e pelo grande apelo por engajamento – que exije conteúdos criativos e de qualidade alta – a plataforma indica poucas chances de sucesso sem o acompanhamento de especialistas ou profissionais da área.